Deputado ataca parlamentar; líder da oposição pede punição

O deputado estadual Ricardo Arruda (PL) disse na tarde dessa segunda-feira (12), da tribuna da situação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) que a deputada Ana Júlia (PT) não trabalha e só apresenta projetos inúteis. O pronunciamento foi feito em resposta a uma fala da parlamentar petista, feita na semana passada, sobre o fato de Arruda ter apresentado um documento fora do prazo para ser anexado em sua justificativa pelas três faltas registradas no Conselho de Constituição da Casa (CCJ).

Arruda disse ainda que Ana Júlia é uma péssima parlamentar e que só brinca de parlamentar. “Não tem trabalho e brinca de ser parlamentar. Já faltou em 40 sessões plenárias. Trabalha uma ova. Eu faltei 15, em três mandados, não faltei tudo isso. Essa petezada não tem vergonha na cara, só apresenta projetos inúteis, como apoio a LGBT, é não sei o que, só inútil. Maria do Rosário Mirim. Aqui não vai colar. Chega de palhaçada”, concluiu.

Diante do discurso de Arruda, o líder da oposição na Alep, deputado Arilson Chioratto, pediu providências à Mesa Diretora pelo ataque à Ana Júlia e também à ministra Gleisi Hoffmann. E anunciou, depois de dizer que “verborragia pode ser sintoma de transtorno”, que o partido vai acionar a Mesa contra o deputado. Arilson pediu, ainda, que seja passado desinfectante no microfone da tribuna da situação.

O presidente da Alep, Alexandre Curi, disse que não ouviu o pronunciamento de Arruda, mas que vai se inteirar e, em seguida, dará uma resposta à Casa sobre o que foi dito.

Como se sabe, Ana Júlia encaminhou requerimento à Mesa da Alep pedindo afastamento de Arruda da CCJ por ter faltada a três sessões, o que, segundo ela, é proibido pelo regimento interno da Casa. Arruda não gostou do comportamento da parlamentar a chamou

Repúdio

Eis a íntegra de nota de repúdio emitida pelos deputados de oposição na Alep sobre o pronunciamento de Arruda:

“A Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) vem a público manifestar seu repúdio às falas misóginas, ofensivas e incompatíveis com o decoro parlamentar proferidas pelo deputado Ricardo Arruda (PL) durante a sessão plenária do dia 12 de maio de 2025.

As declarações, direcionadas à deputada Ana Júlia Ribeiro (PT) e à ministra Gleisi Hoffmann (PT), ultrapassam os limites da divergência política e configuram mais um grave caso de violência política de gênero. Ao utilizar o espaço institucional da tribuna para desqualificar, atacar e ofender mulheres, o deputado agride não apenas as parlamentares citadas, mas também a dignidade do Parlamento e da democracia.

A naturalização desse tipo de conduta representa risco direto à integridade das mulheres na política e à credibilidade do Legislativo junto à sociedade. Não se trata de opinião, mas de ofensa. Não é debate, é agressão. Não é liberdade de expressão, é violência.

A Bancada de Oposição informa que tomará todas as providências regimentais cabíveis, incluindo representação à Mesa Diretora da Alep.

Violência política de gênero é crime. O Parlamento paranaense não pode ser palco para práticas misóginas e autoritárias. É dever desta Casa proteger seus integrantes, garantir o respeito entre seus membros e preservar os princípios republicanos que sustentam o processo democrático.

Deputadas e deputados da Bancada de Oposição na Alep:
Arilson Chiorato (PT) – Líder da Bancada
Ana Júlia Ribeiro (PT)
Dr. Antenor (PT)
Goura (PDT)
Luciana Rafagnin (PT)
Professor Lemos (PT)
Requião Filho
Renato Freitas (PT)

Curitiba, 12 de maio de 2025.”

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui