Curi critica disputa ideológica e defende Senado mais voltado aos interesses do Paraná

Em sabatina do Grupo RIC, candidato ao Senado afirmou que pretende conversar com diferentes forças políticas para defender interesses do Paraná em Brasília. Em um momento de forte tensão entre os Poderes e de polarização no debate nacional, o candidato ao Senado Alexandre Curi (Republicanos) defendeu nesta quarta-feira (16), durante sabatina do Grupo RIC, que o diálogo volte a ocupar espaço na política brasileira.

Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Curi afirmou que pretende levar ao Senado a experiência de articulação construída no Estado e disse que a capacidade de conversar com diferentes forças políticas será necessária para avançar em pautas que dependem de maiorias no Congresso. “Eu sempre dialoguei com todos, e é isso que me diferencia dos demais candidatos. Sempre dialoguei com quem pensa como eu e também respeito e diálogo com quem pensa de forma diferente. É o diálogo que está faltando neste país”, afirmou.

A declaração ocorreu quando Curi foi questionado sobre como construir apoio para propostas como a revisão do pacto federativo, que exigiria articulação com parlamentares de diferentes partidos e regiões.

Para o candidato, divergências políticas não devem impedir a construção de acordos em torno de projetos de interesse dos estados. “O Paraná é um grande exemplo de pacificação. Há quanto tempo você não vê o presidente da Assembleia brigando com o governador do Estado? Essa pacificação é fruto do diálogo”, disse.

“Um lado tentando destruir o outro”

Ao longo da entrevista, Curi contrapôs esse modelo ao ambiente político que, na avaliação dele, predomina atualmente em Brasília. “Quando você assiste a uma sessão do Senado, vê um lado tentando destruir o outro e ninguém debatendo o Brasil”, afirmou.

Curi disse que pretende assumir posições firmes em temas nacionais sem abandonar a negociação política. Citou como exemplos segurança pública, reforma tributária, infraestrutura e mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal. “Pode ter certeza de que serei um senador combativo contra os abusos e excessos cometidos pelo Supremo Tribunal Federal, mas também um senador aberto ao diálogo. O discurso combativo é importante, mas, sozinho, não resolve”, declarou.

O candidato voltou a defender mudanças nas regras do STF e afirmou ser favorável ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes. A manifestação ocorreu um dia depois de uma sessão extraordinária do Supremo marcada por divergências entre ministros e interrompida após pedido de vista de Flávio Dino.

Diálogo

A disposição de conversar com adversários também apareceu quando Curi falou sobre a relação que pretende estabelecer com o próximo governador.

Curi também afirmou que a capacidade de diálogo será fundamental para fortalecer a relação entre o Paraná e Brasília. Ao lado de Sandro Alex, seu candidato ao Governo do Estado, ele defendeu a continuidade da parceria institucional construída nos últimos anos e disse que pretende atuar no Senado para ampliar os investimentos federais no Estado. Para Curi, diferenças políticas não podem impedir a construção de consensos quando estão em jogo projetos estratégicos para o Paraná. “Eu sempre coloquei o meu Estado em primeiro lugar”, afirmou.

A proposta é articular em Brasília projetos que dependam da União, independentemente da composição partidária do Governo do Estado.

Entre as prioridades citadas por Curi estão a Nova Ferroeste, o contorno ferroviário de Curitiba, investimentos em rodovias e a construção de uma nova ligação entre Paraná e Mato Grosso do Sul.

O candidato também voltou a defender mudanças no pacto federativo para ampliar a autonomia financeira de estados e municípios e propôs a criação de um Fundo Sul, reunindo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, destinado a investimentos e ao atendimento de situações emergenciais.

Segurança e jornada de trabalho

Na segurança pública, Curi defendeu maior autonomia para os estados e afirmou que pretende discutir uma mudança constitucional que permita às assembleias legislativas atuar em questões relacionadas à legislação penal.

Ele também disse que a PEC da Segurança Pública avançou em relação ao texto inicial, mas defendeu maior discussão antes de uma votação definitiva.

Outro assunto abordado foi a proposta de redução da jornada de trabalho. Curi declarou ser favorável à redução, mas condicionou a mudança à criação de mecanismos de compensação para pequenas e médias empresas.

“Preciso ser muito sincero com o trabalhador: eu defendo a redução de sua jornada, mas quero preservar o seu emprego”, afirmou.

Segundo ele, uma mudança desse porte deve ser acompanhada de discussão sobre encargos e tributos para evitar que o aumento dos custos resulte em demissões.

Compromisso de oito anos no Senado

Questionado sobre a possibilidade de voltar a disputar o Governo do Paraná no futuro, Curi afirmou que, se eleito senador, cumprirá integralmente os oito anos de mandato. “Eu sempre cumpri os meus mandatos e as minhas tarefas. Vou exercer os oito anos de mandato como senador”, declarou.

Curi disse que mantém o projeto de, no futuro, disputar o Governo do Estado, mas afirmou que uma eventual candidatura ficaria para depois do mandato no Senado.

Na reta final da entrevista, resumiu a proposta de atuação em Brasília repetindo o lema adotado durante a campanha: “Tenho dito todos os dias: é menos Brasília e mais Paraná.”

Para Curi, a combinação entre posicionamentos definidos e capacidade de diálogo será necessária para recuperar espaço do Paraná nas decisões nacionais. “Além de princípios e valores, sempre defendi políticas públicas. O Paraná está mostrando ao Brasil que as políticas públicas transformam a vida das pessoas”, afirmou.

 

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