São mesmo áreas nobres do Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá que entraram no programa de concessões anunciado mês passado por Temer. São os berços de atracação nas áreas de maior movimento de graneis e que são objeto de olho gordo por grandes empresas do agronegócio.

A confirmação veio de Ogarito Linhares, secretário de Outorgas Portuárias da Secretaria Especial de Portos da Presidência da República. É o seu setor que deve conduzir as negociações bilionárias para a concessão dessas áreas, mas não se tem conhecimento de que venha tomando iniciativas com o conhecimento e concordância do governo estadual, a quem, por convênio de delegação, cabe a administração das áreas que citou.

Ogarito conhece bem o Porto de Paranaguá: foi diretor da APPA durante a conturbada administração do superintendente Eduardo Requião, no governo de seu irmão, Roberto Requião. Saiu do posto com a biografia arranhada, mas foi guindado ao porto de secretário de Outorgas Ogarito Linhares ocupa a secretaria de Outorgas por indicação de Geddel Vieira Lima, o ex-ministro de Temer que atualmente reside na Penitenciária da Papuda, em Brasília, após ter sido pilhado como dono de “cofre-forte” que guardava R$ 51 milhões vivos num apartamento de Salvador.

Inicialmente, imaginava-se que seriam concedidas outras áreas distantes, situadas dentro da poligonal definida em 2013, durante o governo Dilma, com grande potencial para a instalação de novos terminais portuários privados. O Corredor de Exportação, administrado há décadas pela APPA por meio de convênio de delegação firmado entre a União e o governo paranaense, não seria afetado pelo programa de concessões – até por não haver necessidade premente de investimentos no local.

Suspeita-se que o governador Beto Richa e seu irmão Pepe Richa, secretário estadual de Infra-Estrutura e Logística, não tenham sido consultados a respeito da concessão dos dois berços estratégicos do Corredor de Exportação. Ou, se foram, é ainda desconhecida a posição de ambos.

A uma emissora de televisão de Paranaguá, Ogarito confirmou o interesse em transferir os dois berços à iniciativa privada, mas em nenhum momento menciona a existência de negociação com o governo paranaense. A parte jurídica da modelagem de concessão, no entanto, já estaria sendo conduzida pela diretora-jurídica da APPA, Jacqueline Wendpap, que presta serviços em Brasília.