Colégio Estadual do Paraná celebra 180 anos

Poucas instituições atravessam séculos acompanhando as transformações de uma sociedade. O Colégio Estadual do Paraná (CEP) é uma delas. Nesta sexta-feira (13), a escola celebra 180 anos de história como uma das mais tradicionais instituições de ensino público do País, com uma trajetória marcada pela formação de gerações de paranaenses e pela presença constante na vida cultural, política e intelectual do Estado.

Berço de histórias, memórias e conquistas, o Colégio Estadual do Paraná teve sua trajetória construída, ao longo das décadas, por gerações de alunos, professores, diretores, merendeiros, inspetores e tantos outros profissionais que ajudaram a formar a identidade da instituição. Mais do que um espaço de ensino, o CEP tornou-se um dos principais patrimônios educacionais do Paraná, responsável pela formação de cerca de 90 mil estudantes ao longo de seus 180 anos.

“Celebrar os 180 anos do Colégio Estadual do Paraná significa dar importância ao patrimônio histórico do Estado do Paraná. Trata-se de valorizar as tradições do passado em uma instituição que atua no presente pensando, planejando e inovando para o futuro”, destaca César Augusto Cruz, diretor do CEP.

Fundação

A história do Colégio Estadual do Paraná se confunde com a própria formação do Paraná. Criado em 13 de março de 1846, o então Licêo de Coritiba surgiu sete anos antes da emancipação da Província do Paraná, ocorrida em 1853.

Inicialmente instalado em uma casa alugada no Largo da Matriz (atual Praça Tiradentes) no Centro da Capital, o colégio mudaria de endereço diversas vezes à medida que crescia e ampliava suas atividades. Após funcionar na Praça Tiradentes, ganhou sua primeira sede própria em 1854, na Rua da Assembleia (hoje Alameda Dr. Muricy). Depois passou pela Rua Emiliano Perneta e pela Rua Ébano Pereira, até chegar ao endereço atual, na Avenida João Gualberto, no Centro de Curitiba.

A trajetória de mudanças reflete também as transformações da educação brasileira ao longo do século XIX. O colégio passou por diferentes denominações: Instituto Paranaense, Gymnásio Paranaense e Colégio Paranaense, até adotar oficialmente o nome Colégio Estadual do Paraná em 1943.

Personalidades

Ao longo de quase dois séculos, cerca de 90 mil estudantes concluíram os estudos no Colégio Estadual do Paraná. Entre eles estão nomes que marcaram a história política, cultural e intelectual do País.

Pelos corredores do CEP passaram personalidades como o político Jânio Quadros, que concluiu o ensino primário na instituição entre 1928 e 1930, quando a escola ainda se chamava Ginásio Paranaense. Também estudaram no colégio nomes importantes da política paranaense, como os ex-governadores Ney Braga e Jaime Lerner.

No campo da cultura, das artes e do direito, o CEP formou figuras que se tornaram referência nacional, como os escritores Dalton Trevisan e Paulo Leminski, o compositor Bento Mossurunga, o artista Poty Lazzarotto e o jurista René Dotti.

Entre as trajetórias mais simbólicas está a de Enedina Alves Marques, que frequentou o colégio ainda no início do século XX. Criada em condições simples, Enedina trabalhou como doméstica enquanto estudava para concluir sua formação. Anos depois, ingressou na Universidade Federal do Paraná e, em 1945, tornou-se a primeira engenheira negra do Brasil, quebrando barreiras em uma profissão então dominada por homens. Sua história tornou-se símbolo de superação e de acesso à educação como instrumento de transformação social.

“São nomes que se tornaram amplamente conhecidos, mas há também inúmeros ex-alunos que, em suas áreas de atuação, como nas artes, na arquitetura, na pesquisa, na música e em tantas outras, ajudam diariamente a fortalecer a cultura e a sociedade paranaense. Isso mostra que o CEP sempre foi um espaço de formação de lideranças, de pensamento crítico e de protagonismo dos estudantes”, afirma o diretor. (AEN; Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN).

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