Cida Borghetti: Governo é responsabilidade

(por Ruth Bolognese) – A deputada Cida Borghetti assumiu o governo do Paraná por contingência e circunstância: renunciou o titular, Beto Richa, e ela era a indicada da família Barros, o feudo maringaense sob o domínio do deputado federal Ricardo Barros. Um grupo familiar com uma longa trajetória na arte da política paciente e persistente, aquela que sabe se posicionar ora pra obter vantagens do poder, ora para assumir o próprio poder.

Bela, simpática e amigável, Cida Borghetti sempre foi a face public relations do marido sem papas na língua, habituado ao jogo bruto para encurralar o adversário, 100% focado nas peças do xadrez que formam o tabuleiro politico. Elegeu-se deputada estadual e federal protegida pelo viés absolutista do marido e chegou à governadora como troféu das sucessivas vitórias, milimetricamente elaboradas, que ele empreendeu nos últimos anos.

Há dois meses no cargo, Cida Borghetti foi fiel e dedicada ao papel que sempre lhe coube. Emprestou sua simpatia e sua beleza ao cargo de governadora-candidata à reeleição e esteve em mil lugares, apertou milhares de mãos, recebeu prefeitos para almoço e janta e distribuiu recursos públicos carimbados como se fossem do próprio bolso.

Como obediente membro do clã Barros nomeou maringaenses, amigos e aliados, nesta ordem, e tudo poderia, ou deveria, dar certo se governar um Estado do tamanho e da complexidade do Paraná não exigisse, também, outros requisitos, mais profissionais, como experiência, conhecimento de causa, preparação, discernimento, capacidade de tomar decisão, enfim, elementos essenciais que compõem o verdadeiro líder.

Governar um estado exige responsabilidade, sobretudo. Responsabilidade que, em algum momento, será cobrada apenas do governador e de sua capacidade de tomar decisões. Pode-se ter um marido excepcionalmente preparado para o exercício do poder. Ou um séquito de conselheiros dispostos a colocar na mesa todos os prós e contras. Mas o momento do acerto de contas entre o governante e a arte de governar sempre chega e define todo o resto.

Para a bela Cida Borghetti este momento chegou cedo e em dose dupla, na verdade: 1) os aliados do ex- governador Beto Richa, indicados e protegidos por ele, dão o tom de chanchada a um governo que ora demite, ora não demite e beira perigosamente o ridículo; 2) a greve dos caminhoneiros exigiu participação ativa da governadora, que se iluminou no apoio e se esborrachou na demissão apressada do comandante Edmauro Assunção do Batalhão da PM de Ponta Grossa.

Outros momentos cruciais virão, com certeza. O problema é que governar não é um aprendizado: é um centro de decisões diárias, importantes e, se erradas, quem sofre as consequências são milhares de pessoas, no caso os paranaenses.

Daí a responsabilidade.

2 COMENTÁRIOS

  1. O ex-vereador de Maringá Dorival Ferreira Dias foi nomeado, pelo governador Ricardo Barros, diretor de Finanças e Patrimônio do Paranaprevidência, o fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões a servidores estaduais do Paraná. A governanta tá nem aí para o futuro dos servidores. Isso é responsabilidade?

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