Casal do Paraná está entre os 216 possíveis indiciados da CPMI do INSS

Após sete meses de funcionamento, a CPMI do INSS iniciou a análise de seu relatório final nesta sexta-feira (27). Com cerca de 4 mil páginas, o texto do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), propõe o indiciamento de 216 pessoas. Entre elas estão duas paranaenses: o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antonio Ribeiro de Oliveira e sua esposa, Thaísa Hoffmann Jonasson.

Os dois estão presos em Curitiba desde novembro do ano passado. Virgílio está na Superintendência da Polícia Federal do Paraná e a mulher, que é empresária, cumpre prisão domiciliar para cuidar de um bebê.

A versão lida por Alfredo Gaspar precisará ser votada pela CPMI, que vai decidir se o aprova ou não. O relatório aponta que os crimes ocorriam “de modo profissional e divididos em núcleos atuantes de forma coordenada”. Entre os principais delitos descritos estão organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, fraude eletrônica e prevaricação.

Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho é apontado na investigação como elo estratégico entre a alta cúpula do INSS e a organização criminosa. Segundo a Polícia Federal (PF), ele foi “um dos principais beneficiários de propinas pagas pela organização criminosa liderada por Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer), entidade envolvida nos descontos indevidos de aposentados e pensionistas.

Thaisa, por sua vez, é apontada como gestora operacional e financeira do núcleo de lavagem de capitais da organização criminosa. Ela é quem, de acordo com a investigação, administra e controla diversas empresas que teriam sido utilizadas para “emitir notas fiscais falsas, simular contratos de prestação de serviços e movimentar recursos ilícitos oriundos das fraudes previdenciárias”.

Thaísa, ainda segundo as autoridades, mantinha contato frequente com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, mesmo após a deflagração da fase ostensiva da investigação.

A CPMI

Instalada em 20 de agosto de 2025, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito foi criada para investigar “o mecanismo bilionário de fraudes identificado no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas”. O requerimento de criação veio após a Operação Sem Desconto, deflagrada em 2025 pela Polícia Federal (PF) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), que identificou descontos ilegais nas aposentadorias e pensões, em benefício de diversas associações, muitas delas de fachada. Desde 2023, a CGU passou a investigar o grande número de associações e o montante descontado dos aposentados.

Integrada por 16 senadores e 16 deputados, com igual número de suplentes, a CPMI funcionou por sete meses, com um total de 37 reuniões e mais de mil quebras de sigilo, sendo presidida pelo senador Carlos Viana e tendo como relator o deputado Alfredo Gaspar. (Agência Senado e O Globo; foto: Geraldo Magela/ Agência Senado).

 

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