Bolsonaro diz que chegou ao limite, critica governadores, assiste agressões a jornalistas e deixa continuar

O presidente Jair Bolsonaro participou esta manhã de domingo (3) de uma nova manifestação em frente à rampa do Palácio do Planalto em ato de apoio a seu governo e a outras pautas. Entre elas, estão críticas aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP); ao Supremo Tribunal Federal (STF); e ao ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro.

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro agrediram com chutes, murros e empurrões a equipe de profissionais do Estadão – que o presidente confundiu com a Globo e deixou que continuasse porque a rede já tinha passado dos limites. O fotógrafo Dida Sampaio registrava imagens do presidente em frente a rampa do Palácio do Planalto, na Esplanada dos Ministérios, numa área restrita para a imprensa quando foi agredido.

Sampaio usava uma pequena escada para fazer o registro das imagens quando foi empurrado duas vezes por manifestantes, que desferiram chutes e murros nele. O motorista do jornal, Marcos Pereira, que apoiava a equipe de reportagem também foi agredido fisicamente com uma rasteira. Os manifestantes gritavam palavra de ordem como “fora Estadão”.

Os dois profissionais precisaram deixar o local rapidamente para uma área segura e procuraram o apoio da polícia militar. Eles deixaram o local escoltados pela PM. Os profissionais passam bem. Os repórteres Júlia Lindner e André Borges, que também acompanham a manifestação para o Estadão, foram insultados, mas sem agressões.

Na fala aos manifestantes, transmitida em suas redes sociais, Bolsonaro afirmou que não vai mais “admitir interferência” em seus atos no governo. E disse que “acabou a paciência”.

– Nós queremos o melhor para o nosso país. Queremos a independência verdadeira dos três poderes, e não apenas uma letra da Constituição, não queremos isso. Chega de interferência. Não vamos admitir mais interferência. Acabou a paciência. Vamos levar esse Brasil para frente.

Aos manifestantes, Bolsonaro voltou a expor contrariedade, sem citar explicitamente a mais recente crise sobre o comando da PF. O presidente também afirmou ter apoio das Forças Armas, sem entrar em detalhes.

— Como tenho dito, o Poder Executivo está unido. Um só propósito: tirar o Brasil de onde se encontra. Vocês sabem que o povo está conosco. As Forças Armadas, ao lado da lei, da ordem, da democracia, da liberdade e da verdade, também estão ao nosso lado. Deus acima de tudo. Quanto aos algozes, peço a Deus que não tenhamos problema esta semana, porque chegamos no limite. Não tem mais conversa. Daqui para frente, não só exigiremos. Faremos cumprir a Constituição. Será cumprida a qualquer preço. E ela tem dupla mão. Não é só de uma mão, não.

Ao falar da crise sanitária, Bolsonaro disse que “infelizmente” muitos brasileiros serão infectados e vão morrer, e que isso é uma realidade que precisa ser enfrentada. O presidente defende o fim do isolamento social em nome da retomada de uma atividade econômica mais intensa. O isolamento é apontado pelos cientistas e médicos como a única forma conhecida para conter o avanço do contágio pelo novo coronavírus. O Brasil vive uma fase de aceleração do número de infectados e mortos pela Covid-19.

— O país, de forma altiva, vai enfrentar os seus problemas. Sabemos do efeito do vírus, mas infelizmente muitos serão infectados. Infelizmente muitos perderão suas vidas também, mas é uma realidade quer nós temos que enfrentar. Não podemos fazer com que o efeito colateral, o tratamento do combate ao vírus, seja mais danoso que o próprio vírus. Há 50 dias venho falando isso.
Antes, o presidente voltou a criticar o isolamento social, disse que as pessoas “querem trabalhar” e chamou os governadores de “irresponsáveis”.

— (É uma) Manifestação espontânea, pela liberdade, pela governabilidade, pela democracia. Isso nunca aconteceu em governo nenhum. Muitos querem voltar ao trabalho, o governador aqui já está abrindo, mas o Brasil como um todo reclama volta ao trabalho. Essa destruição de empregos irresponsável por parte de alguns governadores é inadmissível.

 

 

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