Apesar das muitas denúncias que pesam contra ele e contra amigos que o cercam, alguns deles reus em ações criminais, presos ou delatores, o ex-governador Beto Richa ainda goza de prestígio suficiente para conquistar eleitores que o levem a ganhar uma cadeira de senador em outubro. Nem mesmo episódios que marcaram negativamente suas gestões, como o massacre do Centro Cívico do 29 de abril de 2015 ou sua má relação com o funcionalismo público, provavelmente impedirão que ele ocupe uma das duas vagas em disputa para o Senado.
Entretanto, sabe que tem dificuldades e, por vias tortas, confessa que talvez não arranje abrigo numa das chapas de candidatos a governador. A desculpa que dá é a de que seu partido, o PSDB, divide suas preferências entre Ratinho Jr. (PSD) e a reeleição de Cida Borghetti (PP). Em princípio, ele estaria comprometido com a segunda opção, mas, como bom soldado que é, vai esperar que o PSDB decida em convenção com qual dos dois candidatos a legenda fará companhia. Ou até mesmo com Osmar Dias (PDT).
Na verdade, a questão é outra. Nenhum dos candidatos parece considerar Beto Richa um bom companheiro. É o medo de vincular às respectivas campanhas os índices de rejeição do ex-governador – que não são pequenos – e, ao mesmo tempo, terem de aguentar ataques e se sentirem obrigados a defender sua “obra”.
Um dos sintomas mais visíveis do desejo de se distanciar de Richa parece partir do Palácio Iguaçu, que vem se empenhando em afastar antigos auxiliares e amigos do ex-governador. Começou com Deonilson Roldo, demitido da Copel; quase seguiu com a exoneração de Ezequias Moreira, salvo pelo gongo; e dezenas de exonerações nos escalões mais baixos da administração, sem contar a demissão, “a pedido”, do secretário do Planejamento, Juraci Barbosa.
Irritado diante com o tratamento que vem recebendo do governo da família Barros e sabendo-se também não muito desejável por Ratinho Jr., que embora tenha sido seu secretário por três anos, tenta também desvincular a própria imagem do governo passado – Beto Richa trabalha agora com ideia de se lançar candidato “avulso”. O PSDB não lançaria candidato a governador, não faria parte de nenhuma das chapas majoritárias e faria uma campanha solitária apenas para o Senado.
Em compensação – e aí está embutida uma ameaça a ser administrada por Ricardo Barros – tiraria o PSDB da já compromissada aliança com Cida, levando consigo a bagagem de tempo de televisão e recursos de campanha.
Beto Richa, candidato avulso, não seria novidade no Paraná: isto já aconteceu em 2006, quando o PSDB rompeu a aliança que faria com Roberto Requião (candidato à reeleição ao governo) e lançou apenas candidatura majoritária ao Senado – no caso, Alvaro Dias.

Não foi só o Beto que saiu numa boa do massacre dos professores. O Comandante da tropa também. Inclusive subiu de posto, hoje é subcomandante da PM. Esse é o Paraná.