Declarações do presidente Jair Bolsonaro feitas nessa quinta-feira (5) numa live deixaram os auditores fiscais enfurecidos. Na live, o presidente contou que ouviu de empresários da Fiesp, em São Paulo, uma série de queixas sobre decretos presidenciais, portarias dos ministério e normas da Receita.
“É impressionante. O Paulo Guedes até ficou meio assustado, como a Receita atrapalha em algumas áreas o desenvolvimento do Brasil, é uma coisa terrível!”, disse Bolsonaro na live, prometendo que levará soluções aos executivos na próxima reunião com os empresários, em junho.
Em nota divulgada nesta sexta-feira (6), a Unafisco tece comentários críticos aos empresários e às autoridades:
“Não se sabe exatamente quais foram os relatos dos empresários que fizeram o chefe do Poder Executivo a dizer que a Receita Federal atrapalha o desenvolvimento do país. Mas para um segmento da sociedade que possui uma parcela considerável que é pouca afeita a pagar impostos e acostumada a afagos do governo (os grandes contribuintes recebem todos os anos privilégios tributários e renúncias fiscais ineficientes de mais de R$ 325 bilhões), reclamar do Fisco à maior autoridade política do país é o esporte nacional”, afirmou.
“Quem atrapalha o desenvolvimento do país são os setores atrasados do empresariado brasileiro que em vez de gerar empregos e investir em infraestrutura e tecnologia, passam a maior parte de seu tempo fazendo lobby para encontrar novas maneiras de explorar o Estado e penalizar a Nação.”
“Quem atrapalha o país são as autoridades públicas que promovem assédio institucional contra seus próprios órgãos, em vez de fortalecê-los. Quem atrapalha o país é a equipe econômica que não investe na administração tributária, ao contrário, age diariamente para fragilizá-la. Uma administração tributária frágil não combate adequadamente o contrabando e descaminho que fragilizam a segurança pública e enfraquecem a indústria nacional. Uma administração tributária frágil não combate a sonegação, que supera anualmente a casa dos R$ 400 bilhões, distorcendo a concorrência saudável, desestimulando investimentos de empreendedores sérios e sufocando as contas públicas”, diz ainda a nota.
“Os ataques do chefe do poder executivo à sua própria equipe de auditores fiscais que se veem a cada dia mais vitimados pelo assédio institucional é um cenário que não se pode tolerar. A RFB é um órgão de Estado dos brasileiros, não de um governo transitório que não tem apreço pelo servidor público e incentiva atos que atentam contra os poderes da República”, conclui a Unafisco. (O Antagonista).

[…] ContraPonto: Auditores fiscais criticam empresários e declarações de Bolsonaro sobre a Receita […]
O que esperar de um sonegador? Sua conversão, pois jamais pagará seus impostos voluntariamente. É como o cachorro que come ovelhas, jamais desaprende….