Apostas abertas: Beto sai ou fica?

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse o que lhe pareceu mais óbvio: que Beto Richa renunciará em abril para concorrer ao Senado; que a mulher dele, a vice-governadora Cida Borghetti, assumirá o governo e disputará a reeleição; que a Richa não sobrará opção melhor do que fazer parte da mesma e tradicional aliança e, em gesto de reciprocidade, apoiar Cida.

Barros parece não ter combinado a sua fala com os russos. Richa, por meio do chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, inverteu as previsões do ministro: o governador está com vontade de cumprir integralmente seu mandato e por enquanto não mantém conversações nem manifesta apoio a nenhum dos candidatos da base, seja Cida (PP), seja Ratinho Junior (PSD).

Estão abertas as apostas: Beto deixa o governo como prevê Ricardo Barros? Ou fica até o fim, como vocaliza Rossoni, o mais forte integrante do “núcleo duro” do Palácio Iguaçu?

Tem mais chance de ganhar a aposta quem estudar um pouco o retrospecto comportamental de Beto Richa, hábil dissimulador de intenções.

Em 2008, quando foi candidato à reeleição à prefeitura de Curitiba, dizia-se que ele não cumpriria o segundo mandato. Renunciaria na metade para concorrer ao governo do estado. Ele não só negava esta intenção como chegou a firmar compromisso em cartório de que ficaria até o fim. Mas não deu outra: “o povo exigiu” que ele entregasse o poder ao vice Luciano Ducci em abril de 2010, mal cumpridos dois anos de gestão, e partiu para a sua vitoriosa campanha de governador.

Mais recentemente, fingiu todo o tempo que se manteria neutro na eleição para prefeito de Curitiba, embora desde os primeiros momentos da disputa Rafael Greca já desfrutasse dos eflúvios palacianos. Só no dia da vitória de Greca, porém, é que Beto Richa se apresentou como o grande heroi oculto da façanha.

O comportamento atual tem tudo para ser igual ao do passado. Beto fingirá até quando puder que não quer ser senador e vai continuar aparentando “neutralidade” em relação aos pretendentes Cida Borghetti e Ratinho Jr. Não briga com nenhum dos dois e vai acumulando capital político durante os poucos meses à frente do Palácio Iguaçu, período em que anunciará obras, vai inaugurar festivamente outras, agradará prefeitos e montará o exército de cabos de eleitorais.  Só vai mostrar posição (talvez) lá por junho/julho, prazo final das convenções e da formalização das alianças.

De quebra, renunciando ao governo, cumpre o desejo da primeira-dama e secretária Fernanda Richa de eleger o filho Marcelo deputado estadual. E abre caminho também para a candidatura do irmão Pepe à Câmara Federal. Se não desgrudar da cadeira de governador, Beto impede o prosseguimento dos projetos familiares.

A hipótese de permanecer no governo está condicionada somente à conveniência de manter o poder e o foro privilegiado, já que, candidato e sem mandato, pode sofrer eventuais consequências do avanço dos inquéritos que correm no STJ e no STF em razão das operações Quadro Negro e da que investiga supostos favorecimentos na liberação de áreas de preservação ambiental para uma empresa de logística que seria associada a outra que tem como sócios membros de sua família.

Joguem suas fichas!

 

3 COMENTÁRIOS

  1. Este comentário mostra a face do estado.
    `Porém tem um erro. Quando afirma que a cadeira de prefeito caiu no colo do Greca deveri ser que o Greca caiu na cadeira de prefeito. Se isso tivesse ocorrido, não teriamos nem cadeira nem prefeito atualmente. Já imaginaram o tombo?

  2. 4 decisões que mudaram o futuro político do Paraná nos últimos 11 anos e impactam até hoje:
    1 – Osmar não trocar de vice em 2006… tivesse feito, teria vencido a eleição e emplacado 8 anos até 2014…
    2 – Osmar não se elegeu abriu margem para Betinho decidir largar a PMC em 2008, roer o acordo branco e competir e ganhar em 2010 contra o próprio Osmar…
    3 – Gustavo Fruet ser alçado de última hora como candidato a senado em 2010 para puxar voto para R.B. ao invés de manter-se como Deputado, tivesse concorrido à Câmara ou, ao menos ter sido lançado como o cabeça da chapa teria alcançado a eleição e em 2016 poderia ser o candidato natural há prefeito pelo mesmo grupo…
    4 – 2012 já que Gustavo foi pro sacrifício em 2010 era fato que seria o candidato à prefeito da Capital em 2012, puxaram-lhe o tapete e lá foi ele para o PDT, eleito chamuscou-se com a vice do PT….e o universo nos trouxe Rafael Greca de volta, sem esforço algum a cadeira lhe caiu no colo…

    De tudo isso um adversário em comum se deu muito bem, R.R.M.S.e, pelo andar da carruagem vai continuar a se dar bem.
    Pois Alvaro que seria eleito com um pé nas costas governador mira no curto prazo a eleição de Presidente, mas no longo mais um mandato facinho facinho de senador.

    Osmar, que seria eleito senador fácil contra qualquer um destes mira no curto a cadeira do governo, mas a longo mira… não mira nada.

    Beto franco atirador, mira no curto prazo qualquer coisa que lhe mantenha em um cargo e a longo manter a dinastia no comando e será no futuro o novo R.R.M.S deixando que os sem visão se matem se mantendo no poder…

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