O Aerolula, o avião presidencial comprado sob críticas na primeira gestão de Lula, está a caminho da aposentadoria. Gastador pantagruélico de combustível e com autonomia menor, a Presidência vem alugando de empresa de fretamento um Boeing 767-300ER, da empresa Colt Transportes Aéreos. Temer o usou a aeronave pela primeira vez em junho passado, para viajar sem escalas para a Alemanha.
O 767, fabricado em 1992 e que serviu a três empresas aéreas, está no Esquadrão Corsário, no Rio, e já voou 800 horas sem incidentes. Em 6 de julho, foi usado pela primeira vez por Temer como alternativa ao Airbus ACJ-319 presidencial, para ir sem escalas para a Alemanha.
O 767 voa 11 mil km, contra 8.500 km do Aerolula, um Airbus, o que exige mais escalas para reabastecimento e despesas com hospedagem das comitivas.

A bem da verdade, nem dá pra comparar o A-319 com o 767. São aeronaves de categorias diferentes (se comparadas as de uso comercial). O 319 é um avião de corredor simples, ideal para rotas curtas e médias. O 767 tem dois corredores. É usado em voos longos sem muita demanda (um modelo desses operava o voo Curitiba-Miami). Ou em voos curtos com alta demanda de passageiros.
O Aerolula (um A-319, da Airbus) não é um gastador pantagruélico de combustível. Na verdade, bem pelo contrário –ele consome quase duas vezes menos, por hora, que o 767 (fretado pela Aeronáutica para substituir os sucatões, apelidos dos velhíssimos 707 aposentados há alguns anos). O único problema do 319 é a autonomia –como tem tanques menores, ele exige mais escalas em viagens longas. Mas é um avião muito economico. A tal ponto que é usado por companhias aéreas do mundo todo, atualmente, inclusive por Latam, Azul e Avianca. E vale ressaltar: aviões econômicos são obrigatórios na aviação comercial brasileira, onde combustível é fator decisivo nos custos. Nos EUA, por exemplo, não é assim –e é justamente por isso que os brasileiros que vão pra lá se espantam por voar em aeronaves mais velhas que as usadas no Brasil.