Após pedido do Ministério Público do Paraná (MPPR), a Polícia Civil do Paraná instaurou inquérito para investigar a atuação do vereador curitibano Gustavo Silveira da Costa (Podemos), conhecido nas redes sociais pelo perfil “Perdeu Piá. A investigação destina-se a apurar se o parlamentar teria exercido indevidamente funções típicas de atividade policial, participando de abordagens e prisões e utilizando essas ações para divulgação em redes sociais com possível repercussão política e financeira.
O procedimento foi aberto pelo 1º Distrito Policial da Capital, por meio de portaria assinada pelo delegado Ademair da Cruz Braga Junior, após o recebimento do Ofício nº 022/2026, encaminhado pela 1ª Promotoria de Prevenção e Persecução Criminal do Ministério Público do Paraná.
No documento, de 12 de março de 2026, o promotor de Justiça João Milton Salles requisita formalmente a abertura de investigação para apurar fatos que, segundo o Ministério Público, podem configurar irregularidades na atuação do vereador.
De acordo com o ofício encaminhado à Polícia Civil, o Ministério Público afirma ter tomado conhecimento de que o vereador, que também atua como influenciador digital, mantém canal no YouTube e perfis em redes sociais como Instagram, Facebook e TikTok sob a denominação “Perdeu Piá”, nos quais divulga vídeos relacionados a abordagens e prisões realizadas na região central de Curitiba.
Segundo o documento, o parlamentar “tem, em tese, exercido ostensivamente atividades de ‘policiamento’, realizado diligências e conduzido prisões em flagrante na região central de Curitiba, tendo, para tal, se valido da estrutura da Guarda Municipal de Curitiba”.
O Ministério Público também registra que há indícios de que o vereador teria exercido influência direta sobre integrantes da Guarda Municipal durante essas operações.
No ofício encaminhado à autoridade policial, o promotor afirma existir “indícios, inclusive, de exercício de comando sobre integrantes da Guarda Municipal por ocasião das operações realizadas sob sua provocação”, acrescentando que muitas dessas ações teriam sido registradas e posteriormente divulgadas nas redes sociais do parlamentar.
Ainda segundo o MP, a eventual atuação do vereador em operações dessa natureza exigiria análise tanto administrativa quanto criminal. O documento destaca que a legislação brasileira permite que qualquer cidadão efetue prisão em flagrante, mas ressalta que essa previsão legal não autoriza a condução de operações policiais ou a atuação ostensiva em atividades típicas de segurança pública.
No texto encaminhado à Polícia Civil, o promotor lembra que “a previsão legal do art. 301 do Código de Processo Penal, que legitima qualquer pessoa a efetuar prisões em flagrante, não confere a prerrogativa de atuação policial ostensiva”, acrescentando que o exercício da força na segurança pública é monopólio do Estado e deve obedecer à cadeia hierárquica das corporações policiais.
Com base nessas informações, a Polícia Civil decidiu instaurar formalmente inquérito para apurar possível crime de usurpação de função pública. Na portaria que abre o procedimento investigatório, o delegado responsável registra que o vereador teria agido “como policial desempenhando função que não lhe cabe, excedendo a exegese prevista em legislação pátria de forma a cometer crime de usurpação de função”. (Do portal HojePR).
