Quadro Negro: passos largos para a impunidade

(por Ruth Bolognese) – Foi uma ousadia e tanto a do procurador-geral de Justiça, Ivonei Sfoggia, ao buscar o afastamento o promotor Carlos Alberto Choinski, que tinha sob sua responsabilidade toda a documentação e fartas provas do envolvimento do núcleo duro do Palácio Iguaçu na Operação Quadro Negro.

Ousadia no sentido claro e em bom tom para evitar que esse grupo tenha que explicar o desvio de recursos públicos destinados para a recuperação e construção de escolas públicas do Paraná. E, como indicam as investigações, grande parte desse dinheiro teria sido usado na campanha eleitoral de 2014.

Passam a dormir sossegados o governador Beto Richa, os deputados Ademar Traiano e Plauto Miró Guimarães e o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, ou seja, os homens que detém o poder público no estado. Mesmo investigados formalmente pelo Ministério Público como responsáveis pelo desvio do dinheiro e certamente condenados a devolvê-lo um dia, além de responder criminalmente pelos malfeitos.

A ousadia do procurador-geral, Ivonei Sffogia, no entanto, se é surpreendente no Estado da Lava Jato, é de fácil compreensão no Paraná de Beto Richa.

A verdade é que o comandante do Ministério Público no Paraná agiu por conta de forças nem tão ocultas assim, que remontam a nomeação dele para o cargo e o relacionamento próximo com os homens do poder.

No fundo, é tudo muito simples: a impunidade dos homens públicos brasileiros ocorre justamente pelo emaranhado sistema de apoios, nomeações, ajuntamentos e promessas antecipadas que cercam as escolhas dos cargos da República.

Pode ser que alguma transformação já ocorra no Brasil para que crimes de corrupção sejam verdadeiramente punidos. O afastamento do promotor Carlos Alberto Choinski mostra que, pelo menos no Paraná, continua tudo na mesma.

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