Paranaguá-Antofagasta atropelou expansão da Ferroeste

A repórter Katia Brembatti, da Gazeta do Povo, informa a desistência do último consórcio da Proposta de Manifestação de Interesse (PMI) da ferrovia de Paranaguá até Dourados, no Mato Grosso do Sul. O processo, batizado de Nova Ferroeste, foi lançado com pompa há dois anos pelo ex-governador Beto Richa (PSDB) em evento para investidores em São Paulo.

Liderado por um grupo coreano, o consórcio desistiu oficialmente da PMI alegando dificuldades de captação recursos para realizar os estudos necessários. Com a saída do grupo internacional, o último remanescente, o projeto da Nova Ferroeste sobe no telhado e passa a depender de financiamentos públicos, que podem vir do caixa do estado, recursos da União ou de financiamentos internacionais.

Apesar de a versão oficial tratar das dificuldades financeiras do consórcio em levantar recursos, a matéria aponta outra razão que teria pesado na desistência: a falta de posicionamento do governo Ratinho Jr sobre a PMI. O engenheiro Paulo Benites, presidente da empresa que capitaneava o consórcio, disse que mudanças no comando do governo trouxeram insegurança e “que era necessária uma sinalização mais clara de que o projeto seria seguido conforme o que vinha sendo encaminhado”.

Em eventos oficiais e entrevistas sobre investimentos planejados no setor ferroviário paranaense, o governador Ratinho Jr se empolga ao falar da construção do corredor bioceânico, um antigo projeto de uma ferrovia cortando o continente do Pacífico ao Atlântico, por meio dos portos de Paranaguá e Antofagasta (Chile). Ratinho já levou o assunto ao presidente Jair Bolsonaro e a ministros e técnicos do governo federal.

O fato de a Nova Ferroeste ter sido colocada de lado nas prioridades do estado em detrimento ao corredor Paranaguá-Antofagasta pode ter sido o empurrão para que a iniciativa privada ter anunciado a desistência, apesar de ter levantado 2/3 dos valores necessários para o estudo e ter investido R$ 8,5 milhões em etapas anteriores. Pelo modelo de PMI, os participantes fazem os investimentos iniciais e recuperam os valores com o vencedor da licitação para a construção da obra.

1 COMENTÁRIO

  1. Quem entende de transportes sabe que Paranaguá-Antofagasta tem volume de tráfego insuficiente para ser viabilizada. A carga característica são as commodities, que têm baixo valor agregado e não viabilizam o investimento. Finalmente, ganha um pirulito quem disser o que a ferrovia vai transportar no sentido Antofagasta-Paranaguá. Alguém tem que ensinar isso para o nosso governador. A AMTRAK que ele viu nos States não serve como referência para o nosso caso.

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