Após o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, recusar pedido para obrigar o Senado a adotar voto aberto para eleger seu novo presidente, o senador Oriovisto Guimarães (Podemos) anunciou pelo Facebook que seu voto será a favor de um candidato que não responda a processos judiciais – o que elimina a possibilidade de apoiar a candidatura do enrolado senador Renan Calheiros, que trabalha para voltar à presidência da Casa.

Toffoli manteve o entendimento de que votação para comando das Casas do Congresso é questão interna e deve ser definida pelos parlamentares e não pelo STF e que, no caso concreto – isto é, da eleição que se dará em 1.º de fevereiro – deve prevalecer a regra regimental vigente que prevê votação secreta.

Sem citá-lo pelo nome, Oriovisto deixou claro que Renan não terá seu apoio, pois é “favorável à renovação e ao critério de que o próximo presidente não deve estar respondendo a nenhum processo.” Disse ele na mensagem:

Eu lamento a decisão pelo voto secreto no Senado e declaro que sou a favor do voto aberto e da transparência da atuação parlamentar frente aos seus eleitores.

A origem do voto secreto para a escolha dos representantes do povo tem por base a proteção do indivíduo contra os poderosos que poderiam pela força prejudicar aqueles que tivessem opiniões diferentes das suas. Neste caso o voto secreto é importante. Outra coisa muito diferente é um representante do povo (um parlamentar) pretender votar, no parlamento, decisões importantes que afetam a vida de todo o povo e fazer deste voto um segredo para o povo. Isto é um absurdo, é a verdadeira negação da democracia. O voto secreto no parlamento só interessa aos vampiros que sugam o sangue da nação brasileira e só podem sobreviver nas trevas do anonimato.

No início de fevereiro haverá eleição para os cargos de Mesa Diretora do Senado Federal, eu sou favorável à renovação e ao critério de que o próximo presidente não deve estar respondendo a nenhum processo. Meu voto será nesse sentido.