Magistrado há 25 anos, Luiz Antonio Bonat – escolhido nesta sexta-feira como titular da 13.ª Vara Criminal de Curitiba, lugar que foi de Sérgio Moro – é dos tempos em que não havia varas especializadas em lavagem de dinheiro, processos eletrônicos, nem divisão de setores criminal e cível.

Especialista em Direito Público, Bonat tem experiência na área criminal – apesar de atualmente lidar com outros tipos de processos. Formado em Direito em 1979, atuou na 1.ª Vara Federal de Foz do Iguaçu, na 3.ª Vara Criminal Federal de Curitiba e na 1.ª Vara Federal de Criciúma (SC).

É desse período como juiz em Criciúma decisão histórica de Bonat, em que proferiu a primeira condenação criminal contra uma empresa (pessoa jurídica). O caso envolvia extração ilegal em área de preservação ambiental permanente no interior de Santa Catarina e ele condenou criminalmente os donos (pessoa física) e a empresa.

“Acontece que os tempos evoluíram e o aperfeiçoamento tecnológico e o sistemático descaso de todos fez com que surgissem novas infrações, decorrentes de agressões ao meio ambiente, inclusive e de modo especial aquelas ligadas às atividades econômicas”, justificou Bonat, à época.

O futuro juiz da Lava Jato tem perfil distinto de Moro, quando o assunto é relação com a imprensa, manifestações públicas e participação em palestras e eventos. De uma geração mais antiga de magistrados, Bonat é daqueles que “só se manifestam nos autos”. Cerimonioso e metódico, são raras entrevistas e imagens suas.

Em 2013, Bonat falou em um vídeo institucional comemorativo dos 45 anos da Justiça Federal no Paraná. “Eu colocaria a Justiça Federal como parte da minha família”, disse.

Bonat é considerado profundo conhecedor da Justiça e de seu funcionamento. Sua confirmação como nome mais antigo da lista de candidatos a assumir a vaga de Moro foi vista como positiva por colegas e pessoas ligadas à Lava Jato. Apesar de mais reservado, o juiz é tido como técnico, ponderado e perspicaz.