Insetos falantes, discos voadores e marxistas, segundo o novo ministro

Dia destes os jornais descobriram que o novo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, falara sobre discos voadores numa palestra que deu tempos atrás. E ele foi obrigado a explicar que a referência a naves e seres extraterrestres era apenas uma piada que introduziu na palestra para animar a plateia.

Mesmo depois de sua polêmica indicação para o Itamarati por Bolsonaro, Araújo ainda mantém vivo o blog Metapolítica 17 – veículo que criou durante a campanha para apoiar o candidato. Em sua última postagem, ele voltou ao tema colocando num só pacote as seguintes ideias: assim como não existem discos voadores, também não existem insetos falantes nem marxistas intelectualmente honestos.

Leia trechos:

Se eu fizer uma referência à história da cigarra e da formiga, amanhã algum jornal dirá que eu acredito em insetos falantes.
Em semelhante contexto, quero deixar claro o seguinte: não acredito em discos voadores, nem deixo de acreditar.
O uso da expressão “acreditar” com relação à existência ou inexistência de civilizações extraterrestres e seus aparatos afigura-se inadequado. Parece perfeitamente plausível que existam tais civilizações e sejam capazes de viagens interestelares – e uma hipótese plausível não é, a rigor, matéria de crença.
Trata-se, no caso, de uma proposição verificável, e jamais falseável, segundo a epistemologia de Karl Popper, ou seja: é possível comprovar empiricamente que os discos voadores existem, basta que um dia um deles apareça à luz do dia e todo mundo o enxergue, mas é impossível comprovar empiricamente que os discos voadores não existem, pois teríamos de varrer todo o universo à sua procura até concluir por sua inexistência, tarefa inexequível.
Podemos dizer algo semelhante de outras entidades, por exemplo: corvos brancos. É plausível que haja corvos brancos, pois não há nenhuma impossibilidade intrínseca em sua existência, mesmo se nunca ninguém os viu. Os corvos brancos nisso diferem, por exemplo, dos marxistas intelectualmente honestos. A existência de um marxista intelectualmente honesto não é plausível, pois há uma contradição intrínseca entre a disciplina intelectual marxista, que nasce na mentira e obriga seus praticantes a mentir inclusive a si mesmos o tempo todo, e a honestidade intelectual.
Desse modo, a proposição “existem marxistas intelectualmente honestos” difere das proposições “existem discos voadores” ou “existem corvos brancos”. Ela não é nem verificável nem falseável, ela é apenas logicamente insustentável, como seria a proposição “existe luz escura”.

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