“Eu vim para confundir, não para explicar!”, teria dito Chacrinha, o folclórico animador de auditório da televisão no século passado, se estivesse no lugar do secretário da Fazenda, Renê Garcia, na coletiva de imprensa que ele concedeu nesta quinta-feira (10) para dar conta da situação financeira do estado. Não explicou. E a confusão continuou a mesma desde que o governador Ratinho Jr. colocou em dúvida a afirmação da antecessora Cida Borghetti de que havia deixado o caixa recheado com R$ 5 bilhões, dos quais R$ 400 milhões livres para utilização imediata.

“Eu me sinto como se estivesse sobrevoando Berlim com uma fortaleza voadora sem instrumento de utilização”, confessou o secretário, corroborando as declarações de Ratinho Jr segundo as quais o governo hoje opera “no escuro” em relação à situação financeira.

Na coletiva, o secretário admitiu que após dez dias da posse, o governo Ratinho Júnior não tem como dizer quanto tem de saldo em caixa, nem quanto herdou de “restos a pagar” da administração anterior. Segundo ele, os problemas do Sistema Integrado de Finanças Públicas do Estado (Siafi) que já vêm desde 2018, não permitem saber com certeza qual a situação financeira do governo paranaense.

Diante disso, a Secretaria da Fazenda formou uma força-tarefa com integrantes da Procuradoria Geral do Estado e da Controladoria Geral do Estado para checar essas informações, mas não há prazo para que esse trabalho seja concluído. As informações são do repórter Ivan Santos, do BemParaná.

“O que de fato está acontecendo é que a quantidade de restos a pagar está um pouco indefinida, qual é o montante, qual é o valor e quais são as fontes que fazem jus a cada lançamento dos restos a pagar”, explicou Garcia Junior. “Não me sinto seguro para dizer qual o saldo dessas contas”, reconheceu ele. “Existem algumas redundâncias, existe a possibilidade de ter lançamentos em duplicidade no que diz respeito a algumas contas, especialmente na questão da receita, porque existem contas de transição”, afirmou o secretário.

Segundo Garcia Júnior, o problema estaria na execução dos processos utilizados para alimentar o Siaf. “A minha percepção é de que isso pode estar causando uma certa tendência a criar dentro da Secretaria da Fazenda e algumas secretarias um processo de dificuldade de lançamentos financeiros e de geração de relatórios”, disse.

Sem citar valores, o secretário confirmou que algumas despesas realizadas nos últimos dias da gestão anterior devem ser canceladas. “Existem imprecisões no que diz respeito à apuração (de restos a pagar). A volatilidade dos restos a pagar é muito grande. Alguns empenhos já estão em processo de serem cancelados. Do ponto de vista dos fundamentos há problemas”, afirmou Garcia Junior.

O secretário admitiu também que diante da situação, não há como confirmar se é verdadeira ou não a informação da ex-governadora Cida Borghetti, de que ela teria deixado R$ 400 milhões em caixa para o governo Ratinho Jr. “Para ser honesto, não”, reconheceu ele.

Segundo Garcia Junior, hoje o governo não é capaz de definir de forma precisa qual é o saldo ao final do ano passado e quais são as contrapartidas em relação aos restos a pagar. “Eu me sinto como se estivesse sobrevoando Berlim com uma fortaleza voadora sem instrumento de utilização”, confessou o secretário, corroborando as declarações de Ratinho Jr segundo as quais o governo hoje opera “no escuro” em relação à situação financeira.