O governo Bolsonaro está preocupado com a Igreja Católica e move canais diplomáticos para se prevenir de possíveis críticas que receberá durante o Sínodo da Amazônia, que o papa Francisco convocou para outubro, em Roma. Os embaixadores da Itália e do Vaticano estão sendo chamados para intercedam junto à Santa Sé para que o Sínodo – que reunirá bispos de todo o mundo – não se transforme em palco de ataques diretos à política ambiental e social do governo brasileiro.

A preocupação do governo decorre de informes levantados pela Abin (Agência Brasileira de Informações) segundo os quais a Igreja tende a assumir o protagonismo da oposição, que, até a campanha de 2018, era representada pelos partidos de esquerda. A derrota dessas legendas paralelamente ao avanço dos evangélicos e das correntes de direita coloca o “clero progressista” como a única força política capaz de confrontar o governo Bolsonaro.

Nos 23 dias do Sínodo, as discussões vão envolver temas como a situação dos povos indígenas e quilombolas e mudanças climáticas – consideradas “agendas de esquerda” pelo Planalto. O governo quer ter representantes nas reuniões preparatórias para o encontro em Roma, segundo revelou neste final de semana o jornal O Estado de S. Paulo.

O governo não esconde sua preocupação. Embora tente diminuir a dimensão do caso, o Gabinete de Segurança Institucional, chefiado pelo ministro Augusto Heleno, emitiu nota em que confirma “a preocupação funcional do Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional com alguns pontos da pauta do Sínodo sobre a Amazônia que ocorrerá no Vaticano, em outubro deste ano” e que “parte dos temas do referido evento tratam de aspectos que afetam, de certa forma, a soberania nacional. Por isso, reiteramos o entendimento do GSI de que cabe ao Brasil cuidar da Amazônia Brasileira.”