Senado: sessão secreta para esconder vergonha

Os senadores não querem que a população veja como como votarão para salvar o senador Aécio Neves. Eles articulam usar uma possibilidade regimental para tornar secreta a sessão do dia 17 em que decidirão como aplicar a decisão do STF que devolveu para o colo do Senado a responsabilidade de definir o destino do colega mineiro – flagrado em conversas telefônicas com Joesley Batista pedindo um “empréstimo” de R$ 2 milhões.

Por conta dessa gravação apresentada pelos delatores da JBS e apresentada ao STF pela PGR, o Primeira Turma do Supremo havia determinado o afastamento de Aecio do mandato. Em sessão plenária do dia 11, no entanto, o STF reconheceu que não tinha poderes para tanto e que a questão deveria ser decidida pela própria Casa.

Os senadores, no entanto, têm vergonha da opinião pública e não querem que ser vistos votando a favor de Aécio.

Veja como O Estado de São Paulo descreve os fatos:

Senadores intensificaram a articulação por uma votação secreta para deliberar sobre as medidas cautelares e o afastamento impostos ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). O tema está em discussão pela cúpula do Senado e tem como objetivo diminuir o desgaste de senadores que pretendem reverter a suspensão das funções parlamentares do tucano.

A votação no plenário da Casa está marcada para a próxima terça-feira, 17. Por 6 votos a 5, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram nesta quarta-feira, 11, que medidas cautelares, como o recolhimento noturno, determinadas a deputados federais e senadores devem ser submetidas ao aval da Câmara ou do Senado.

O regimento interno do Senado prevê votação secreta para deliberação sobre prisão de parlamentar. Na semana passada, a Coluna do Estadão já havia adiantado que senadores debatiam a possibilidade de tornar a votação sigilosa. A Constituição, porém, não diz que modelo deve ser adotado. Até 2001, o artigo 53 estabelecia votação secreta – a expressão foi suprimida pela Emenda Constitucional 35.

Segundo um integrante da Mesa Diretora do Senado, a votação será como determina o regimento – ou seja, fechada.

Reservadamente, um ministro do Supremo disse ao Estado que, como a regra interna da Casa determina o modelo de votação, há espaço para tal interpretação.

2017-10-13T11:32:57+00:00 13 outubro - 2017 - 11:32|Brasil, Paraná, Política|0 Comentários


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