À procura do candidato virgem

Paira no ar uma ansiedade muito grande entre os eleitores. Cansados dos velhos políticos, 63% dos paranaenses indicam que, em 2018, gostariam de votar em alguém que “ainda não tenha exercido nenhum cargo público”.

Lamentamos informar, mas trata-se de uma tarefa quase impossível, principalmente quando se olha o quadro dos que se apresentam como pré-candidatos ao governo do estado. Não há nele nenhum nome que se possa chamar de “novo” – todos já disputaram ou já exerceram mandatos. Nem se pode dizer que são “novos” os mais jovens citados entre os postulantes. Ninguém pode se dizer “virgem”.

Osmar Dias, por exemplo, já foi por duas vezes senador; foi secretário da Agricultura por longos anos, presidente da estatal  Café do Paraná, vice-presidente do Banco do Brasil. Está na lida desde o fim dos anos 1980, quando pela primeira vez serviu ao governo do irmão Alvaro Dias.

Ratinho Jr. também já está “velho” na política. Conta o tempo desde que, aos 21 anos, foi eleito deputado estadual pela primeira vez. Foi também deputado federal e voltou a se eleger estadual. Quis ser prefeito de Curitiba ao concorrer (e perder) para Gustavo Fruet em 2012. Agora é secretário de Desenvolvimento Urbano. Em 15 anos, passou por quatro diferentes partidos.

Cesar Silvestre, ex-deputado estadual e atual prefeito de Guarapuava, é o mais novo. Na idade, tem 36 anos, mas não pode negar que pertence à terceira geração de políticos tradicionais: seu avô, Moacir, foi também prefeito de Guarapuava; seu pai, Cezar, foi deputado estadual estadual e federal, chefe da Casa Civil e atualmente é presidente da Agência Reguladora do Paraná. A mãe, Cristina, tem cadeira na Assembleia Legislativa.

Alexandre Kirreff era “novo” na política quando disputou e venceu a eleição para a prefeitura de Londrina em 2012. Não quis se reeleger alegando que queria voltar à vida empresarial, mas agora, filiado ao Podemos, fala em disputar o Palácio Iguaçu, mas com maior probabilidade de concorrer ao Senado.

Cida Borgheti, atual vice-governadora, já foi deputada estadual e federal, sem contar que, ao lado do marido, o deputado e ministro da Saúde Ricardo Barros e da filha deputada Maria Victória, respira política há pelo menos duas décadas

Quem mais destes que aí estão com alguma proeminência na sociedade e que nunca exerceram cargos ou disputaram mandatos políticos?

Edson Campagnolo, presidente da Federação das Indústrias do Paraná, se enquadra nesta categoria: é o único nome que se apresenta nestas condições: nunca foi parlamentar, nunca exerceu função pública. Nos meios empresariais, é referido como potencial candidato, mas ele próprio nada fala a respeito, embora defenda posições diferentes da “velha política”.

Diante disso, melhor repetir a definição de novo que o governador paulista Geraldo Alckmin usa para se defender de João Doria, o prefeito de São Paulo que ameaça tomar para si a candidatura à presidência pelo PSDB. Diz Alckmin:

— Mas quem é o novo? É pela idade, quem tem 70 anos ou 30 anos? O novo é quem nunca foi candidato ou quem tem vários mandatos? O novo é quem defende o interesse coletivo, o interesse público. O país foi dominado pelo corporativismo. O interesse coletivo é órfão diariamente.

 

 

2017-08-12T12:40:26+00:00 12 agosto - 2017 - 12:32|Paraná, Política|2 Comentários

2 Comentários

  1. Gilberto Correia de Oliveira - cpf 15583341904 12 de agosto de 2017 em 12:42- Responder

    O novo, seria realmente aquele que governasse com ética e transparência, que cobrasse dos partidos que irão lhe apoiar, o mesmo caminho, deixando de reservar vagas de secretários e outros cargos para políticos que foram cassados pelo eleitor, nas urnas. Basta ver a vergonha que se estabeleceu no governo municipal…

  2. João Gualberto 12 de agosto de 2017 em 14:56- Responder

    Não basta só o “novo” candidato, tem que haver o “novo eleitor”, são as duas faces da mesma moeda.

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