Fecha-se escola, não se abre prisão

É de Rousseau, o grande pensador francês, a afirmação: “Abrir escolas é fechar prisões”.

No Paraná, faz-se o contrário: fecham-se escolas, não se abrem prisões.

O estado é recordista nacional em número de detentos em cadeias públicas, celas de delegacias de polícia que deveriam abrigar apenas presos provisórios. Há quase dez mil nestas condições porque o governo estadual, embora contasse com verbas federais, prometeu mas não construiu novos presídios. Suas condições são de horror medieval. Há situações em que celas onde cabem dez, uma centena de presos se amontoa. Daí as frequentes rebeliões, fugas e mortes.

Tem gente que acha isso bonito: preso tem de sofrer mesmo; de preferência morrer. E quem defende maior dignidade no tratamento de detentos é logo convidado a levá-los para casa.

Enquanto isso, fecham-se escolas. Como está perto de acontecer com uma das mais tradicionais de Curitiba, o secular Colégio Prieto Martinez.

A secretaria da Educação justifica: não há mais alunos para ocupar suas 1.500 vagas. Atualmente, funcionam lá apenas duas turmas. Quem procura se matricular no Prieto recebe a recomendação de procurar outras escolas.

O Prieto fica no movimentado e populoso bairro Bom Retiro (ou São Francisco), na avenida Nilo Peçanha, a dez minutos da Praça Tiradentes, ponto zero de Curitiba. Não se sabe ou não se entende porque houve processo tão drástico de esvaziamento – se por questões demográficas ou sócio-econômicas locais ou puramente porque há um esforço do governo para cortar despesas com educação. Procurada, a secretaria da Educação não soube informar o destino que terá o prédio moderno, amplo e completo do Prieto.

A esperança é que não seja transformado em presídio.

2017-11-07T11:10:18+00:00 07 novembro - 2017 - 07:00|Brasil, Paraná, Política|2 Comentários


2 Comentários

  1. daniel 7 de novembro de 2017 em 08:10- Responder

    A incapacidade de nossos governantes nos levam à contramão do desenvolvimento, sabendo que a qualificação é essencial para fazer frente em um mundo tecnológico, principalmente quando estamos sendo engolidos pelos aportes de capitais e a expansão dos asiáticos. Este governo kinderovo, sempre perdido, deixa como legado o retrocesso na educação e o nome nas operações policiais….

  2. Alan Grenn 7 de novembro de 2017 em 13:58- Responder

    Realmente, isto tudo acontece em um Estado que já foi a Suíça brasileira, mas com este governo pífio, esta reduzido a um feudo, onde mandam determinadas famílias de políticos sedentos de poder e de riquezas e os cidadãos a ver navios.
    Delegacia não é cadeia pública, e nela não devem existir presos encarcerados, pois somente ali devem permanecer enquanto é lavrado o flagrante e para ser ouvido.

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