Como era ser governador em 1960, na visão de um assessor

Em 1998, o jornalista José Wille entrevistou o ex-deputado Norton Macedo (falecido em 2010) um dos amigos e mais próximos assessores de Ney Braga desde a primeira gestão do governador, nos primeiros anos da década de 1960. Este trecho dá ideia do que é ser um governador de verdade:

E o cotidiano de Ney Braga? Como era o ritmo de trabalho nessa fase, no começo da década de 60, quando ele estava, pela primeira vez, no Palácio Iguaçu?

Era um ritmo fatigante, porque ele era o primeiro a chegar ao Palácio e o último a sair. Uma atividade intensa, conhecendo profundamente cada setor da atividade governamental. Tinha controle dos seus auxiliares, através até de um aparelho com o qual fazia reuniões de secretariado, ligando diretamente aos secretários do estado. Tecnicamente, não sei definir. Mas era o grande monstro que assustava os auxiliares, porque era a presença do governador ao lado de cada um durante todo o dia. Ele cobrava tudo, ele sabia o andamento de tudo! Ao fim do dia, seguindo o exemplo do grande paranaense que foi Caetano Munhoz da Rocha, ele ligava para o secretário da Fazenda para saber a receita do dia, para saber os acontecimentos da área de arrecadação, tudo, tudo… Tudo sob seu controle pessoal. Essa atividade intensa que ele dedicava a todos os setores evidentemente se refletia muito dentro do Palácio, fazendo com que o trabalho fosse intenso e permanente, mas não desgastante. A gente trabalhava com muita vontade de fazer e realizar alguma coisa e creio que se pode dizer que isso tudo foi feito pelo governo Ney Braga. Realmente, marcou época na vida do Paraná e há quem se refira, embora eu não goste muito desta expressão, ao Paraná antes de Ney Braga e depois de Ney Braga. Não sei se isso é verdadeiro, mas 1960 realmente foi um marco na vida do Paraná.

(a entrevista completa de Norton Macedo você lê no Portal Memória Brasileira, mantido por Wille)

2017-11-06T08:46:10+00:00 05 novembro - 2017 - 07:50|Do baú, Paraná, Política|4 Comentários


4 Comentários

  1. Déo 5 de novembro de 2017 em 09:55- Responder

    O Beto faz tudo isso e ainda opuxa academia de manhã e à tarde, e ainda pilota um kart nos corredores do Palhaço do Governo. Fichinha!
    E ainda fiscaliza os parentes distantes.

  2. zangado 5 de novembro de 2017 em 10:44- Responder

    A conclusão é de que fomos do zero à direita para o zero à esquerda; do, talvez, o melhor governador do Estado para, com certeza, o pior de todos os tempos. Algo está errado e, necessariamente, não é a cadeira do governador, é o palácio inteiro e adjacências !

  3. Adelino 5 de novembro de 2017 em 10:57- Responder

    35 anos depois, vendo no que deu, acho que deveríamos ter eleito o Saul Raiz na época.

  4. Catarina Ardissonova 5 de novembro de 2017 em 11:02- Responder

    Na vida eu assim, em qualquer ambiente e em qualquer projeto que vc almeja êxito, vc tem que fazer assim, acompanhar medir, ajustar. Quando a gente fala isso é determinados laboratórios…logo escuta um:” que controladora, quer ser a dona que obsessiva, ET” e outros termos que descrevem pejorativa a dedicação. Ser medíocre é muito confortável.

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